segunda-feira, 1 de março de 2010

Penhasco abaixo

Preferia morrer do que me separar.
Antes dela acontecer eu parecia uma criança diante de um monstro indomável. Fiquei muito revoltada porque eu estava naquele lugar quentinho, naquela zona de conforto, que apesar de desgastado há muito tempo, ainda era meu porto seguro. Triste engano... eu vivia num cativeiro construído com a ajuda das minhas próprias mãozinhas.
Minha pseudo-segurança estava firmada em coisas não tão seguras e meu mundo ruiu. E eu chorei. Chorei minha separação por quase um ano. Chorei assim, de inchar a cara e escorrer ranho do nariz. Chorei no travesseiro, no ônibus, no banho, no trabalho, no meio da rua. Chorei tudo o que tinha prá chorar. Nunca segurei nada. Me esvaziei.  Não cuspo no prato que comi. Foi um tempo de erros e de acertos, de coisas alegres e coisas tristes. Foi um tempo que precisava ser vivido. Mas agora está no meu passado, arquivadinho, com todas as ruguinhas e as marquinhas que me gerou. O período de aceitação durou um longo tempo, não foi da noite pro dia, mas eu me esvaziei de tudo. Absolutamente cada decepção e cada mágoa. Cada expectativa e cada plano frustrado. Não levo nada comigo.
Mas o mundo não pára prá que possamos chorar. Pelo contrário, parece que quanto mais precisamos ficar quietinhos, mais ele nos põe prá girar.
E os problemas vieram, pessoas dependiam de mim e Deus!!!  Como eu tinha medo de fracassar!
Hoje, depois de toda a tormenta ter de fato passado, eu vejo como foi bom tudo ter ocorrido assim. Claro, muitas coisas poderiam ter sido evitadas, muitas farpas, muitas mágoas. Mas ninguém tem pós graduação em divórcio prá saber exatamente como lidar com isso.
Como, cada noite que passei sem saber meu lugar nesse mundo, cada gigante e piscante ponto de interrogação que nascia em cima da minha cabeça, cada medo de dar o próximo passo valeu à pena.
Me jogaram nesse mundo aqui de fora como uma mãe passarinho que empurra seu filhote penhasco abaixo prá que ele aprenda a voar.
Eu tinha um medo sem igual do mundo, medo de abrir a boca e ser mau interpretada, medo de expressar minha opinião e desagradar, medo às vezes de respirar.
Hoje eu sou muito feliz! Posso dizer que muito mais feliz do que antes do monstro da separação me devorar. Não tenho mais aquele medo de pular do penhasco... hoje a vida me move.

E prá completar:

''Você não pode fazer nada sobre o comprimento de sua vida, mas pode fazer muito sobre a largura e a profundidade dela.''


Evan Esar



2 comentários:

  1. Tu é uma mulher batalhadora, e passou por tudo isso com muita firmeza, apesar de todas as dificuldades. Por isso todo mundo gosta de ti!!

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  2. Aiêêê... Assim eu me emociono-me à mim mesma sozinha...
    Brigadão querido!! Te gosto! Beijãooo

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